Os desafios dos tempos modernos

Os desafios dos tempos modernos

Estamos na Era da Tecnologia e isso significa que as coisas estão cada vez mais ao alcance de um clique. Por exemplo, cerca de 30 anos atrás se um estudante quisesse fazer pesquisa sobre determinado assunto, precisaria sair de casa e se deslocar até a biblioteca mais próxima a fim de consultar a BARSA que era uma coleção de livros que consultávamos para encontrar todas as respostas. Detalhe que, em alguns casos, ainda era necessário fazer uma seleção prévia dos títulos que achávamos ser interessantes e pedir ao bibliotecário. Ou seja, mais uma espera. Por volta dos mesmos 30 anos atrás era comum, se as mães fossem fazer um bolo, as crianças ficarem por perto acompanhando todo processo desde a compra dos ingredientes, separação destes na quantidade correta, mistura e colocação no forno (para muitos a parte que, realmente, importava era esperar que o bolo fosse ao forno para que pudessem lamber a vasilha com resto da massa). Indo ao forno, era preciso esperar de 30 minutos a 1 hora até que ficasse pronto. E, depois de pronto, muitas mães ainda faziam os filhos esperarem sob pretexto de que ficariam com dor de barriga ao comerem o bolo quente.

Situações como essas construíram no imaginário das crianças de ontem, a ideia de que para conquistar as coisas e obter resultados era preciso saber esperar. Logo, esperar que algo ficasse pronto, ainda que demorasse, não era um problema. A espera fazia parte do processo e não era nenhum absurdo.

Diferente do que acontecia nesse passado distante, hoje, quando temos uma dúvida ou precisamos fazer uma pesquisa, sacamos do bolso nossos celulares, acessamos a internet e recorremos ao buscador. Em instantes, uma série de respostas surgem diante dos nossos olhos. E, quanto mais específica for a pessoa ao selecionar as palavras de sua busca, mais próximo do que precisa serão as respostas e, consequentemente, menos essa pessoa precisará ler cada link que abrir. Em casa, quando desejamos comer um delicioso bolo feito pela mamãe ou pela vovó, corremos até a casa de bolos mais próxima e compramos um bolo “caseiro”. Hoje temos fast foods, entrega acelerada de cartas e encomendas, compras pela internet das mais diversas coisas (de produtos eletrônicos a itens de supermercado) eliminando o tempo e o desgaste de ter de ir até o local.

O resultado de todos esses avanços tecnológicos e no oferecimento de serviços é que estamos desaprendendo a esperar. As pessoas sofrem quando tentam falar com alguém por telefone e não são atendidas prontamente. Ou quando mandam uma mensagem de WhatsAPP e não recebem uma resposta imediata. Anos atrás, antes do surgimento do telefone celular, as pessoas saiam de casa e ficavam incomunicáveis por um dia inteiro e, tudo bem.

A tecnologia com suas respostas rápidas trouxe inúmeros benefícios, mas com eles vieram também as mudanças na forma de se estabelecer as relações interpessoais e profissionais. O imediatismo da modernidade tem nos deixado mais ansiosos, intolerantes com as pessoas, pouco pacientes com o tempo do outro e com a ideia de precisar aguardar que processos ocorram com todas as suas etapas e ritmo característicos. Nas empresas, a tecnologia sistematizou processos que antes eram manuais, encurtou o tempo de realização de diversas atividades e também acelerou o acesso das pessoas à informação. Com isso, numa lógica empresarial sobra tempo para que as pessoas assumam mais atividades e tenham metas mais desafiadoras. O mundo mudou, se modernizou, mas e as pessoas conseguiram se ajustar a essas mudanças tão intensas? Será que o fato das informações chegarem mais rapidamente, os processos se resolverem com maior eficiência e os bolos caseiros chegarem em poucos minutos, faz com que também as pessoas aprendam mais rápido, sejam mais resilientes e se resolvam emocionalmente de forma mais acelerada?

Esse é o grande desafio dos tempos modernos. Encontrar formas de nos adequarmos às novas exigências da atualidade. E, o primeiro passo para isso é aceitar que as coisas mudaram. E, eu sei que você percebeu que a tecnologia está aí transformando tudo ano após ano. O que é válido compreender é que o efeito colateral dos benefícios que enxergamos e gostamos em nossa vida, consiste no impacto emocional que a aceleração contínua tem nos causado. Assim como na medicina que precisa diagnosticar uma doença para só depois saber como tratá-la, precisamos identificar o problema para só então lidar melhor com ele.

A tecnologia avança, a competitividade empresarial aumenta, a estratégia organizacional muda para se ajustar às novas necessidades, novas tarefas surgem para dar conta desses necessários ajustes e as pessoas precisam acompanhar essas mudanças. A pressão do dia-a-dia pode ser melhor enfrentada se você souber negociar com suas emoções para dar conta da ansiedade e do estresse. Verifique que competências lhe faltam desenvolver mais, para que a rotina não lhe cause sofrimento. Também é válido entender a expectativa da organização com seu trabalho. E, por último, será bastante útil aprender a negociar com quem acelera você. Faça suas entregas dentro dos prazos, mas tome cuidado para não se contaminar com a pressa e urgência do outro. Há coisas que sim precisarão ser resolvidas com rapidez, mas muitas vezes o que o outro manifesta é tão somente a ansiedade de quem não quer esperar o bolo ficar pronto.